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Autodeterminação, bom desempenho nas tarefas e o fluir estão interligados

Renato Miranda 07/11/2017 COMPORTAMENTO
Autodeterminação, bom desempenho nas tarefas e o fluir estão interligados
Fonte: Google Imagens
A ausência de preocupação sobre a perda do controle é uma consequência da autoconfiança que o jovem tem em suas habilidades

por Renato Miranda

Escrevi anteriormente (veja aqui) sobre a possibilidade de contribuição do esporte na formação dos jovens para se tornarem motivados e autônomos. Ao citar a teoria da autodeterminação de Edward Deci e Richard Ryan, dois psicólogos estudiosos em motivação, eu enfatizei que quando o jovem experimenta a sensação de liberdade para fazer o que é interessante, vitalizante e pessoalmente importante, ele vivenciará uma energia autodeterminada.

Importante destacar que a palavra interesse, em sua estrutura etimológica implica decifrar que interesse é uma relação de conveniência estabelecida pela própria pessoa e “aquilo” (fenômeno, atividade, objeto, pessoa e tudo o mais) que é capaz de satisfazer algum tipo de necessidade dela mesma (a pessoa). Quando se estabelece essa dita relação de conveniência automaticamente surge o interesse.

Nesse sentido uma motivação inconsciente (implícita) é a chave para o desenvolvimento de habilidades específicas dos jovens que de uma maneira sistêmica é fortalecida na medida em que se desenvolvem competências, autonomia e o relacionamento humano.

Esse é um tema em voga já que cada vez mais os jovens são expostos aos mais variados critérios de avaliação, pressões familiares e sociais diversas relativas ao futuro e conquistas pessoais.

O esporte como opção alvissareira para auxiliar os jovens a se adaptarem a essa realidade e em muitos casos como anseio de futuro, ou seja, o esporte como profissão, repercute novos estudos e correlações de outras teorias.

Um estudo recente que por hora está em curso na universidade do Porto é realizado pelo jovem pesquisador brasileiro Helder Zimmermann. Sua pesquisa é desenvolvida com jovens atletas brasileiros de basquetebol. Ao avaliar seu brilhante trabalho, baseado na teoria da autodeterminação, percebo que há uma estreita relação com a teoria da fluidez (consagrada com a denominação em inglês, Flow-feeling), proposta por Mihaly Csikszentmihalyi.

Isto porque, Zimmermann, ao buscar identificar as consequências motivacionais dos atletas em função do ambiente (atmosfera!) e do suporte motivacional, nós encontraremos uma relação direta com o envolvimento dos jovens atletas com a tarefa, o incentivo (apoio) à autonomia e um forte suporte social.
    
Tal relação descrita acima se associa, por sua vez, especialmente às várias dimensões que caracterizam o fenômeno da fluidez (flow-feeling) como: forte motivação intrínseca (que repercute em alegria espontânea e intrinsecamente compensadora), controle absoluto das ações, equilíbrio entre desafio da tarefa e habilidade, os objetivos são claros e a atividade é percebida como experiência autotélica (a finalidade da experiência está nela mesma, independentemente das recompensas pessoais).

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Observe que quando há envolvimento da tarefa, controle absoluto das tarefas e percepção autotélica da atividade (experiência), um sentimento de motivação e confiança (autodeterminação), faz com que percepções associadas ao medo, fracasso e tensão sejam descartadas.

A ausência de preocupação sobre a perda do controle é uma consequência da autoconfiança que o jovem (veja o caso de jovens atletas) tem em suas habilidades (autonomia!), boas e concretas! Surgirá assim, um sentimento de poder, confiança e calma.

Por outro lado, a percepção autotélica faz com que o jovem se envolva profundamente na atividade. O papel do líder (professor, técnico pedagogo e outros) em conjunto com o ambiente (instituição de ensino, esportiva e outras), deve promover a criação de uma atmosfera positiva e motivadora para o desenvolvimento da percepção autotélica.

Em resumo, profissionais e instituições devem favorecer uma atmosfera e procedimentos para a combinação adequada do potencial de ação dos jovens com as oportunidades daquilo que os especialistas convencionaram denominar sistema de ação.

Neste contexto, estará disponível para os jovens a oportunidade dos mesmos canalizarem as suas energias para ações produtivas, e por conseguinte, desenvolverem suas habilidades de concentração, considerada a melhor energia psíquica para promover a qualidade de uma tarefa.

Para finalizar, pode-se observar que o papel dos adultos em auxiliar o desenvolvimento dos jovens está ao nosso alcance, mas exige muito esforço e dedicação. Por isso talvez, os adulto prefiram “fazer pressão”: é mais fácil!




TAGS :

    flow, feeling, fluir, autodeterminação

Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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