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Mágoa, discordância, raiva e alívio fazem parte do fim de todo relacionamento, diz psicóloga

Arlete Gavranic 01/01/2016 PSICOLOGIA
Cumplicidade e vontade de estar junto é que sustentam um relacionamento

por Arlete Gavranic

Terminar um relacionamento é uma missão difícil, principalmente quando a outra parte ainda está interessada e até mesmo apaixonada.

Nesse momento são muitas as possibilidades: conversar abertamente, dar um tempo, romper efetivamente, sair aos poucos, dar canos, desculpas até cansar o outro; outra forma é sumir. Essa é a escolha de muitos, mas além de imatura é antiética: só mesmo quando a pessoa já vem tentando romper e sentindo-se sempre coagida ou chantageada a continuar... Aí uma sumida à francesa pode ser a solução para evitar enfrentamentos.

Mas existem preocupações que acontecem sempre que se tem que tomar decisões desse tipo: preservar a imagem social: se ele (a) sair falando mal de mim? e a intenção de não magoar o outro, principalmente se essa pessoa foi legal e teve um significado importante: afetivo, sexual, social e profissional na sua vida.

Mas como fazer para não magoar o outro?

Sempre que ouço essa pergunta a primeira coisa que vem à mente é ... Por que sempre temos que nos cobrar em agradar ou em não desagradar o outro? Temos que ser ‘bonzinhos’ sempre?

E a resposta que me vem é: ‘Não’

Temos que ser éticos, o que significa sermos claros, não alimentar ilusões e nem desrespeitar a integridade do outro; seja com violência física, psíquica ou assédio moral. No entanto, é impossível achar que você ou qualquer outra pessoa consiga sair de um relacionamento evitando uma certa dose de raiva, mágoa, discordância...

Namorados, noivos, cônjuges e amantes, sem excessão, vivenciam em alguma proporção a dor de uma perda ou o alívio do final de um relacionamento não mais satisfatório.

Relacionamentos sempre implicam em expectativa de vida e as pessoas podem em seus processos pessoais amadurecerem em sentidos diferentes, desenvolverem gostos diferentes, sonhos diferentes, resgatarem ou construírem desejos diferentes para si.

Certo ou errado?

Não se pode julgar o desejo ou o amadurecimento da outra pessoa. Ninguém é obrigado a se manter em um relacionamento, se esse não é satisfatório ou não traz alegria, paz, desejo, equilíbrio; se não provoca a vontade de seguir em frente, ampliar horizontes e de construir juntos. É essa energia de vida e de afinidade que traz cumplicidade e alicerça um relacionamento, não são filhos, bens, sexo, culpas, medos e chantagens que impedem as pessoas de seguirem seu caminho.

Existem muitas frases (clichês!) que acabam sendo usadas na tentativa de arrumar uma saída ‘mais fácil’ ou ‘menos dolorosa’ para essa etapa de dizer ‘tchau’, ‘adeus’, "acabou" ...

- “O problema não é com você”;

- “ Não estou pronto para uma relação tão profunda”;

- “Tenho outras prioridades neste momento”;

- “Você é muito para mim”;

- “Preciso de espaço”;

- “É melhor sermos só amigos”;

- “Gosto de você, mas não para assumir um compromisso”;

- “Você é especial, temos uma química ótima, mas também temos muitas diferenças”;

- “Foi uma experiência legal/envolvente mas não quero abandonar meus planos/família/profissão/país...”

Poderíamos encher páginas e páginas de frases mais ou menos melosas, politicamente corretas ou emocionalmente assertivas. O fato é que nenhuma relação tem garantia. Ninguém se mantém em um relacionamento se não houver afeto, afinidade, desejo ou vontade de estar junto.

Muitas pessoas barganham para não saírem de relacionamentos, uns por afeto, outros por status, outros por bens, outros por medo... Muitos ameaçam com outras perdas, com escândalos, com os filhos, com família... mas para quê?

Aprender a ouvir o ‘não dá mais’ ou ‘acabou’ pode doer sim, mas é preciso ter maturidade para saber que a vida não vai parar e que existem outras pessoas e possibilidades de afeto.

Todo término abre novas oportunidades para recomeçar. E quanto menos lamentações, mais chance de viver prazerosamente outro começo.

E como dizia nosso querido poeta Vinicius de Morais, um eterno apaixonado e amante da vida,

"Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"

Não existe fim, existe recomeço!




Arlete Gavranic

Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual pela Sbrash, Coordenadora e docente dos cursos de Pós-graduação lato sensu em Educação sexual e em Terapia sexual do ISEXP/ Sbrash. Docente dos cursos de pós-graduação em Educação sexual e Terapia sexual da UNISAL e coordenadora do pós de Terapia Sexual da UNISAL.



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Você toparia ter um relacionamento de “amizade com benefícios”? Tratam-se de amigos que se tornam parceiros sexuais sem deixar isso interferir na amizade; o termo vem da expressão 'friends with benefits'.





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